Sem escolta policial

Sex, 22 de Maio de 2020 20:54 0 COMMENTS
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Paciente violento e com histórico de agressão gera clima de medo no Instituto Raul Soares


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A transferência de um usuário do Hospital Galba Velloso para o Instituto Raul Soares motivou um abaixo-assinado entre os trabalhadores que se mobilizam para que o paciente seja acompanhado de um agente policial. Isso porque o histórico de perseguição e agressão à trabalhadores estão descritas no prontuário do paciente durante internações anteriores no IRS. Cerca de 25 profissionais já foram ameaçados pelo paciente, as agressões físicas constam em Boletins de Ocorrência quando a Polícia Militar precisou ser chamada na unidade hospitalar. Para garantir a assistência do paciente os servidores pedem que seja providenciado a força policial para segurança de todos. 


Esse foi um dos questionamentos dos trabalhadores em Assembleia realizada nesta sexta-feira (22), convocada emergencialmente quando a notícia da transferência causou alarde na categoria. Foi definido que o departamento jurídico do Sind-Saúde será acionado, inclusive para defesa dos 25 trabalhadores que respondem processo administrativo devido a casos relacionados com esse paciente. Os servidores alegam que não foi respeitado o Estatuto do Servidor e que os ocorridos tratam na verdade de agressões físicas, ameaças e assédios praticado pelo paciente. O Sindicato também procurou a Câmara Municipal de Belo Horizonte e a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para pautar a situação e intermediar uma solução junto ao governo do Estado. O legislativo foi chamado já que nem a Fhemig nem o governo do Estado tem dado retorno às séries de denúncias graves dos trabalhadores. 

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“Exigimos providencias imediatas. A ida do paciente para lá coloca em risco a vida de todos os trabalhadores. Esse paciente jurou de morte vários trabalhadores, é extremamente agressivo e a ida dele para lá, mesmo com a instituição sabendo desse histórico, está ocorrendo sem nenhum diálogo com os servidores”, afirma a diretora Neuza Freitas que esteve na Assembleia da categoria. 

 

Durante a assembleia, foi informado que outro paciente internado com determinação judicial e de alta periculosidade que deverá ser encaminhado sem escolta policial. A decisão dos trabalhadores da saúde é que sem garantia e segurança, nenhum trabalhador vai entrar na unidade. Neuza Freitas salienta que os trabalhadores não estão recusando o atendimento, mas exigem a presença policial para acompanhar esse perfil de usuário. 


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Os trabalhadores também discutiram outras pautas emergenciais para o Raul Soares. A falta de estrutura das enfermarias e a acomodação mista de homens e mulheres tem gerado inúmeros problemas que os trabalhadores pedem que sejam solucionados. Os relatos também expõe a insegurança presente no dia a dia do IRS. A falta de uniforme privativo continua sendo queixa dos servidores que são obrigados a trabalhar com roupas trazidas de casa, uma inconformidade com as necessidades sanitárias do ambiente hospitalar. 


Os trabalhadores pretendem também dar um importante passo para o fortalecimento do controle social, base de sustentação do Sistema Único de Saúde (SUS). A criação do Conselho Local de Saúde e também a instalação do Comitê Local de Enfrentamento à Covid-19 foram apresentadas como proposta dos trabalhadores. Após a pandemia, o Sind-Saúde irá articular com o Conselho Municipal de Saúde (CMS-BH) o processo de implementação do Conselho local, um importante braço do controle social. Já o Comitê interno para contingenciamento do novo coronavírus é uma pauta dos trabalhadores reforçada também no ato do Dia Nacional de Valorização dos Trabalhadores da Enfermagem. O IRS é o primeiro hospital a  ter um comitê interno para contingenciamento do novo coronavírus. Cinco servidores foram eleitos para compor o comitê na representação dos trabalhadores. 


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Caso o governo não encaminhe nenhuma resposta às reivindicações dos trabalhadores, uma nova paralisação de 24 horas será anunciada para a próxima sexta-feira (29/05). Os ofícios com as demandas dos trabalhadores foi encaminhado para o secretário de saúde de Minas, Carlos Eduardo Amaral Pereira da Silva Gerais, ao presidente da Fhemig Fábio Baccheretti, Diretor do Instituto Raul Soares,Marco Antônio de Resende Andrade, a promotora de Defesa de Saúde do Ministério Público, Josely Ramos Pontes, Diretoria Assistencial (DIRASS) Lucinéia Maria de Queiroz Carvalhais, presidente do COREN-MG Carla Prado, além da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, Comissão de Direitos Humanos da OAB e Comissão de Direitos Humanos da Câmara Municipal de BH.

 

Retornos da Assembleia

O líder da minoria na ALMG, deputado André Quintão solicitou o relatório dos acontecimentos no IRS para intermediar com o governo estadual e encaminhar a pauta na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia para providências imediatas.